Esta semana prometo postar muito mais. Ainda mais agora que estou lendo dois livros de nome Como Se Tornar Mais Organizado e Produtivo e Como Administrar Melhor o Tempo, além, é claro, do livro que continuo traduzindo. Como prometido, vou postar textos antigos também, este é um texto do meu antigo Blog, as vezes dá vergonha, mas temos que assumir o que somos e fomos, hehe. Acho que eu estava apaixonado na época. Foi bem na época que aprendi que não se falava mais ouvido e sim orelha interna nas aulas de letras…
A manteiga do Amor
Ela tinha remela, sarda e espinhas, alguns cravos e dentes laranjas, ela tinha bafo de fandangos, língua azul e zoreba interna brilhante, como se fosse possível ver meu reflexo dentro da zoreia dela, e o meu nariz fosse aquele emaranhado de cera quase marrom, dentro do reflexo na zoreia dela. Talvez por isso ela não me escutasse direito, talvez por isso ela não desse atenção aos reles personagens comuns do dia-a-dia. Seu corpo era uma tábua perfeita, suas nádegas tão macias quanto cedro, seus trejeitos tão suaves quanto Hércules, seu sorriso tão bonitos quanto um piano, mas com uma tecla sustenido maior que as brancas, bem no meio, um vão. Mas preciso te contar, nesse vão vão meus anseios, minhas fantasias, minhas aspirações, meus sonhos mais internos, minhas aventuras. Ah, como me apaixono a cada baforada, a cada meia olhada, a cada gesto brusco dos teus membros, a cada mancada, a cada tudo. És minha profunda fonte de inspiração, minha querida. Me apaixonei desde a primeira vez em que me vi em vc, não nos reflexos dos teus olhos, mas no reflexo que extasia e embriaga, no meio da tua incomparável manteiga da testa.