Post novo neste, post antigo de meu antigo blog PablitoDiz, de 2003.. Neste texto tentei brincar com os nomes das obras de Machado de Assis. Uma homenagem simples. Identifique as obras de Machado.
Machado e sua obra
Quem não conhece um cara como meu amigo Plínio, num pode ver um rabo de saia, olha até pra desenho animado, foi um bom tempo apaixonado pela mulher do desenho do Roger Rabbit, gostou da Tina do Maurício de Souza. O legal é que além disso, ele era um cara recatado, introspectivo, gostava de ensaiar suas investidas, perfeccionista ao máximo. Se apaixonou pela menina da biblioteca, ele nem gosta muito de ler, na realidade ele curte contos, e só. Mas a biblioteca não era das melhores, e só tinha o livro de contos de Machado, e só. Mas ele não cansava de ir buscar o seu livro de contos do Machado, lia e relia, decorava, recitava, sabia de cor toda a biografia do mestre, O Apólogo então… o interessante é que ele nunca tinha coragem de chegar e dizer tudo o que sentia por sua nova amada, de nome Mariana, filha de D. Paula, famosa cartomante, ele queria ser diplomático, um homem célebre, sabia que ela era a desejada das gentes, essa era a causa secreta, queria que fossem como Adão e Eva, queria ser o enfermeiro de suas mazelas, várias histórias. O fato de ela trabalhar numa biblioteca o deixava ansioso, não queria lhe parecer fútil, ele precisava de uma mudança, de uma metamorfose, isso, metamorfose, baseado nisso ele mudou de livro, quis parecer mais culto, pegou o Metamorfose em espanhol antigo, claro que num entendeu lhufas. Kafka está longe de ser acessível, ele então voltou ao Machado, e releu O Apólogo, seu medo era servir de agulha para uma linha ordinária, que ela tivesse ar de agulha. Ele não sabia nem como chamá-la, qual seria o pronome de tratamento que ele se dirigiria a ela? O legal é que ele então decidiu a cada dia anotar um nome em que ele poderia chamá-la, marcava no Palmito (apelido que ele mesmo deu ao pequeno e inseparável Palm). Ele fez isso durante uma semana, não agüentava mais, ele tinha que tentar, ir aos braços de sua amada, chegar e falar, desembuchar, expressar seu grande amor, achava que era chegado o dia. Ele então foi devolver o livro e…somente sorriu. Sem graça, mas sorriu, sentiu vontade de se matar depois, se indagava como poderia ter sido tão idiota. Não podia mais perder essas oportunidades, a próxima seria a saída desse marasmo amoroso e vicioso. Chegou o dia D, ele tomou coragem e chegou, ligou o palmito e leu o mais rápido que pôde: – Mari gatinha, munhé, chuchu, princesa, mãinha, patroa, polícia, pitchula, benhê, sonho meu, mozinho, alegria, pitéu, inspiração, caroço da minha azeitona, tampa da minha panela, paixão, metade da laranja, remela dos meu zóio, anjo, vida, docinho, coração, flor, amor, tesouro, gracinha, more, querida, rainha, estrela, lindona, lindinha, fofucha, tetéia, mulherão, máquina, avião!
Ela, estupefata, muito calmamente levantou o braço e mostrou seus lindos dedinhos da mão esquerda, neles um artefato dourado brilhava, resplandecia, chocava, pesava, o famoso bambolê ela demonstrava com ar de superioridade, com pinta de mulher fatal impossível, e disse: Sorry queridinho, sou casadíssima, e sorriu.
Nosso Plínio, cujos olhos cegados pela paixão não enxergava tal adereço importante, não se conteve, não ficou tão por baixo, disse com voz embargada que era brincadeira, imagine, gostar da mulher da biblioteca, e saiu.
Chegou em casa e finalmente se aliviou, pegou o machado e se matou. E ela? Ela chora até hoje, pensa em nunca ter tido o amor pleno com quem realmente a amava. É, oportunidades são únicas, e o mundo? O mundo? O mundo dá voltas, e como dá. Como Byron já disse um dia: “Cedo ou tarde o amor se vinga”.